Imortalizada
em obras de alguns dos mais representativos nomes
das artes plásticas do Brasil, a atriz
e empresária Maria Della Costa foi esculpida
duas vezes por Vitor Brecheret, retratada por
Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho, Djanira,
Guanabarino, Noêmia Cavalcanti, entre tantos.
Maria
Della Costa nasceu Gentile Maria Marchioro Della
Costa. Filha de imigrantes, originários
de Veneza, junto da Áustria, que seguiram
para o Rio Grande do Sul, terra em que se dedicaram
à agricultura.
A
carreira de Maria Della Costa começou aos
14 anos, motivada por sua beleza incomum. Maria
foi lançada como modelo por Justino Martins,
na revista Globo de Porto Alegre.
Já
no Rio de Janeiro, a sua carreira como modelo
e manequim da famosa Casa Canadá, deu-lhe
o título de Primeira Manequim do País.
A
MORENINHA, sob a direção de Bibi
Ferreira, foi a primeira peça que trouxe
Maria no seu elenco.
Casada
com Fernando de Barros, passou três anos
em Portugal onde estudou Arte Dramática
no Conservatório de Lisboa.
De
volta ao Brasil, já bastante preparada,
foi contratada pelo grupo OS COMEDIANTES que revolucionou
o teatro brasileiro com seus espetáculos
inesquecíveis, tais como: TERRAS DO SEM
FIM, INÊS DE CASTRO e VESTIDO DE NOIVA.
Maria
Della Costa, dirigida por Ziembinski começava
a brilhar nos palcos brasileiros.
Anos
depois, já casada com Sandro Polloni, o
casal resolveu construir o seu próprio
teatro, devido à absoluta falta de casas
de espetáculos na cidade de São
Paulo. Com a preciosa ajuda do Sr. Otávio
Frias, que facilitou-lhes um financiamento, Maria
e Sandro construíram o Teatro Maria Della
Costa. Projeto assinado por Lúcio Costa
e Niemayer, ainda hoje o Teatro Maria Della Costa
é considerado um dos melhores teatros da
capital de São Paulo. Foram 15 anos, viajando
o Brasil de ponta a ponta, com os mais diferentes
espetáculos, que Maria e Sandro honraram
o financiamento feito pelo Banco Nacional.
O
CANTO DA COTOVIA foi o espetáculo que inaugurou
o novo teatro sob a direção do italiano
Gianni Ratto, trazido ao Brasil especialmente
para a Cia. Maria Della Costa.
Não
se pode falar de Maria sem lembrar o mais importante
empresário e agitador cultural deste País,
o grande e saudoso Sandro Polloni. A impressão
que se tem é que a eles não bastava
simplesmente fazer teatro. Eles precisavam inovar,
lançar novos autores, novos diretores,
contratar elencos gigantescos, criar grandes polêmicas
filosóficas e políticas, através
de um repertório sempre novo e instigante.
Nenhuma
outra atriz tem a honra de inscrever em sua biografia
tantos e tão importantes autores: Gorki,
Sartre, O´Neil, Zola, Anouil, Goldoni, Feydeu,
Lorca, Arthur Miller, Brecht, Ionesco, Guarnieiri,
Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Marcos
Reys, Helena Silveira, Jorge Andrade, Antônio
Bivar, para citar alguns.
Com
GIMBA, de Gianfrancesco Guarnieri, a Cia. Maria
Della Costa, sem a ajuda de ninguém, viajou
para a Europa, desafiando a ditadura de Portugal.
Não
seria a primeira vez. O teatro é sempre
estrangulado por ocasião das ditaduras
e eles que já haviam atravessado a ditadura
de Getúlio Vargas, logo mais sofreriam
os revezes do Golpe Militar.
De
Portugal, a convite do governo francês,
a companhia foi ao Festival das Nações,
em Paris, representando o Brasil.
Trouxe
consigo o prêmio de Melhor Espetáculo
Dramático do Festival. De lá seguiram
ainda para Roma, Buenos Aires e Montevideo.
A
Cia. Maria Della Costa lançou e deu força
ao começo de carreira de muita gente importante
do meio artístico.
Depois
de cumprir um repertório maravilhoso, a
Companhia enfrentou os tempos magros da Ditadura
Militar mas, mesmo assim, driblando a censura,
as produções continuaram.
Foi
então que o Brasil todo teve acesso à
arte de Maria Della Costa. Ela ingressou na televisão
com a lendária novela BETO ROCKFELLER.
Com uma linguagem inovadora para a TV, a novela
ganhou a simpatia dos brasileiros. Seguiram-se
ESTÚPIDO CUPIDO, TE CONTEI e vários
CASOS ESPECIAIS.
O
cinema também se utilizou do talento da
atriz em INOCÊNCIA, de Visconde de Taunay,
A VIDA DO ALEIJADINHO, A MORAL EM CONCORDATA,
O SIGNO DO ESCORPIÃO. Com o diretor italiano
Camilo Mastrocinque, Maria filmou AREIÃO.
Com
a morte do marido e grande empresário Sandro
Polloni, hoje Maria administra seu próprio
hotel na cidade de Paraty.
Sem
dúvida, um dos maiores nomes do cenário
brasileiro, beleza que esteve presente em dezenas
de capas de revistas, Maria Della Costa pode ser
encontrada, plenamente realizada, cuidando de
seus jardins e dos seus animaizinhos.
Maria
cria constantemente, seu espírito artista
não dá trégua. Maria sonha
constantemente. Enquanto puder criar e sonhar
estará feliz.
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Escultura
de Vitor Brecheret |
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